Página inicial Gasto Brasil chega ao Congresso e mostra que despesa pública supera os R$ 3,4 tri

Gasto Brasil chega ao Congresso e mostra que despesa pública supera os R$ 3,4 tri

Por Sincavesp São Paulo clock 11 de agosto de 2026

Plataforma das associações comerciais será apresentada a parlamentares nesta terça-feira, 11/08. Proposta é que a ferramenta sirva de suporte para deputados e senadores em decisões que afetem o orçamento

Gasto Brasil, painel eletrônico que estima em tempo real as despesas públicas, será apresentado ao Congresso Nacional nesta terça-feira, 11/08, às 15h30. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a ferramenta monitora gastos federais, estaduais e municipais e, neste momento, aponta que essas três esferas públicas já consumiram mais de R$ 3,4 trilhões desde o início do ano. Esse valor supera em R$ 1 trilhão o valor da arrecadação de impostos, segundo dados do Impostômetro.

O painel do Gasto Brasil ficará exposto por uma semana no Congresso, onde parlamentares e cidadãos poderão acompanhar suas funcionalidades. Idealizador da plataforma, Cláudio Queiroz diz que levar o Gasto Brasil ao parlamento é importante para dar mais subsídios a deputados e senadores, que têm, entre suas responsabilidades, a aprovação de orçamento e a fiscalização de sua execução.

“A plataforma não substitui o Tribunal de Contas, a Controladoria ou os sistemas oficiais. Ela acrescenta uma camada de leitura simples, integrada e acessível, que permite ao parlamentar enxergar rapidamente tendências, comparar entes e formular as perguntas certas antes de votar um orçamento, uma emenda ou uma mudança legislativa”, diz Queiroz.

Ele acrescenta ainda a importância institucional de se colocar o debate sobre gasto público no mesmo patamar do debate sobre arrecadação. “Parlamentar responsável não deve apenas discutir de onde virá o dinheiro; deve perguntar se cada despesa tem propósito claro, meta verificável e retorno social compatível. A ferramenta estará à disposição de todos para fortalecer o acompanhamento, melhorar a qualidade das decisões orçamentárias e dar base objetiva para reformas que reduzam desperdícios, simplifiquem a administração e preservem recursos para as prioridades do cidadão.”

Despesas x arrecadação

Pela plataforma do Gasto Brasil na internet é possível verificar que, dos mais de R$ 3,4 trilhões em despesas realizadas em 2026, R$ 1,58 trilhão está relacionado a gastos do governo Federal, R$ 922,8 bilhões são relativos a gastos dos Estados e R$ 904,8 bilhões são despesas municipais.

Investigando mais os dados trazidos pela plataforma, é possível encontrar distorções sérias nas finanças públicas. No caso das despesas Federais, por exemplo, há uma elevada concentração de recursos em duas categorias de despesas: ‘Previdência’ e ‘Pessoal e Encargos’ representam aproximadamente 60% dos gastos do governo federal. “Isso exige debate sério sobre produtividade, desenho das políticas, qualidade do gasto e espaço para investimento”, alerta Queiroz.

Das 28 categorias de despesas do governo Federal, 11 respondem por cerca de 96% do total, sendo Previdência e pessoal as duas maiores, como apontado acima.

Outro dado, ainda mais evidente, que sugere problemas sérios nas finanças públicas é a diferença entre o total arrecadado (R$ 2,4 trilhões), segundo o Impostômetro, e as despesas, que, pelo Gasto Brasil, superam em R$ 1 trilhão o que entra nos cofres dos governos.

Neste ponto, porém, Queiroz faz uma ressalva técnica. “Essa diferença, por si só, não é a medida oficial do déficit fiscal. Os dois painéis têm objetos e metodologias distintos. Para medir formalmente o resultado fiscal, é preciso comparar receitas e despesas em bases equivalentes, considerar as transferências entre entes, receitas não tributárias, critérios de competência ou caixa e demais componentes definidos pela estatística fiscal oficial.”

Segundo ele, a mensagem correta é: há um forte sinal de pressão e de assimetria que precisa ser investigado e acompanhado, e não uma conclusão simplista baseada apenas na subtração dos dois relógios.

“O problema, portanto, não é o governo gastar por definição; é gastar sem prioridade, sem avaliação de resultado e sem responsabilidade com a sustentabilidade fiscal. É aí que a reforma administrativa, a revisão de processos e a transparência devem entrar”, afirma Queiroz.

O que é possível acompanhar por meio do Gasto Brasil?

Na prática, o cidadão pode acompanhar:

– Gasto agregado do país;

– Gastos desmembrados do governo Federal, Estados e municípios;

– Recorte por esfera de governo;

– Recorte por grupos de despesa;

– Recorte por poderes e por Previdência;

– Analisar séries estatísticas;

– Identificar a participação de despesas específicas no total.

Sobre a plataforma

O Gasto Brasil é uma plataforma de transparência que organiza, em uma única interface, informações sobre as despesas públicas primárias pagas pelo Governo Federal, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Ela foi desenvolvida pela CACB, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em 2025. Seu objetivo é tornar visível e compreensível o lado da despesa pública.

Os dados são coletados de integrações automatizadas com bases da Secretaria do Tesouro Nacional, passam por tratamento de consistência e alimentam estimativas atualizadas à medida que novas informações são divulgadas.

Lançamento do Gasto Brasil no Congresso Nacional

A iniciativa de apresentar a plataforma aos parlamentares envolve a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A solenidade acontece às 15h30 desta terça-feira, 11/08, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. O painel do Gasto Brasil ficará exposto até o dia 13/08 no Espaço Mário Covas.

Durante a apresentação no Congresso serão lançadas novas funcionalidades da plataforma para expandir o nível de transparência de dados, como recortes econômicos, valores detalhados por população e índice de qualidade da informação.

Matéria do Diário do Comércio de 11/08/206